segunda-feira, 9 de novembro de 2009

<*)))>{

Senti vontade de comprar um peixe,


colocá-lo em um aquário redondo,


e deixá-lo morrer de tédio e tontura,


c o n t o r n a n d o paredes cheias de limo.



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Concessões (ou duas horas e meia sem luz)

Lá fora as ruas escuras e os postes apagados. Nenhuma casa acesa. Nenhuma luz azulada de televisão refletida nas janelas. E aqui dentro apenas o tremular das velas.

Pego os fones, deito na cama, e começo a pensar. A maciez do edredom relaxa o corpo e fluem as idéias. Penso em você.

Meses e meses. Mais de um ano de olhadas disfarçadas. A personificação do desafio. Algo que estava fora do meu alcance. Completamente incerto.

Então imagino nós. Você sobre mim. Teus olhos penetrantes. Teus braços que prendem minha atenção. E toda a minha vontade de me entregar a você.

Agora esqueço o passado. Revivo os sentidos do coração. Encho meu estômago de borboletas. Por minutos me entrego às minhas fantasias e desejos. Penso. Imagino. Sinto.

Deixo de ser tão dura comigo mesma. Estou apaixonada. Por você. Por mim. Por nós.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Justificativas

Escrevo sobre o amor, para amenizar as minhas faltas. E aliviar minhas feridas.
Escrevo sobre sexo, para imaginar o que não tenho. E revelar o que desejo.
Escrevo sobre o passado, para agir certo no presente. E evitar erros no futuro.
Escrevo sobre dores, para tirá-las de mim. E carregar apenas alegrias.
Só não escrevo sobre felicidade. Porque prefiro vivê-la.

sábado, 31 de outubro de 2009

Depois de tanto tempo, achei que estivesse pronta. E que já era hora de abrir novamente todas as portas e janelas.

Mas acho que o melhor a se fazer é pôr trancas nas portas e cadeados nas janelas.

Para um dia, quem sabe assim, algum ladrão perspicaz conseguir burlar a segurança, e roubar o meu coração.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Das banalidades

Às vezes, morar numa cidade pequena nos dá a oportunidade de perceber certas coisas. Bem idiotas, por sinal.

Na minha cidade, por exemplo, é chique morar perto do shopping. Muitas pessoas se amontoam em prédios minúsculos, e pagam caro para morar quase em frente a um lugar tão fútil e entediante.

Já outras, são capazes de vender a alma para morar em um bairro que só cheira a esgoto, e que foi construído em cima de um mangue. Só porque toda a elite mora por lá.

Uma bela elite que paga horrores para sair nas colunas sociais dos famigerados jornais daqui. E que vive em adoráveis festas de debutante, casamentos e coquetéis. Sempre com seus beijinhos falsos e vidas de aparência. Puxando o saco de políticos, médicos ou qualquer um que tenha um carro importado ou que more em um daqueles prédios suntuosos, com apenas um ou dois apartamentos por andar. Certamente financiados em sessenta vezes. Ou mais.

Mas, ironias a parte, eu até gosto daqui. Acho aqui uma cidade bonitinha e prática. E sei que não nasci nela por acaso. Mesmo que muitas vezes eu me sinta como um peixe fora d’água.


E mais uma coisa: eu não sou comunista.

E mais outra: o sumiço tanto no meu blog quanto no de vocês, é por conta da correria sem fim que estou experimentando ultimamente. Mas eu volto. E com bem mais tempo :*